|
Salvador Bahia
Belas praias, bolinhos de acarajé, igrejas imponentes,
trios elétricos que tomam conta das ruas nos carnavais dentro e fora de
época. Esses são alguns dos ingredientes que dão fama a Salvador, uma
cidade imperdível para quem deseja diversão e, ao mesmo tempo, calmaria.
Poucos sabem, porém, que a capital da Bahia também merece ser passagem
obrigatória para os amantes do mar e suas belezas.
Belezas profundas, literalmente. "O turismo
náutico é mais conhecido fora do Brasil. Cerca de 90% dos mergulhadores
que nos procuram são europeus e americanos", afirma a instrutora de
mergulho da Bahia Scuba, Danielle Rolim. "Poucos são os brasileiros
que vêm a Salvador para isso", conta. As águas da região são
transparentes, quentes - a temperatura média anual é de 26 graus
centígrados, com visibilidade de até 20 metros -, e a fauna é
fascinante.
Primeira capital do Brasil, a cidade viu grande
trânsito de embarcações, principalmente portuguesas, a partir do
século 17. Muitas delas afundaram.
Hoje, a costa da cidade conta com pelo menos 200
naufrágios, cerca de 90 identificados. A maior concentração de
embarcações no fundo do mar se encontra na Baía de Todos os Santos, que
completou 500 anos ano passado. Além de ser a maior baía do País, com
1.052 quilômetros de espelho d'água, a região tem dez pontos
interessantes de mergulho com naufrágios. Alguns são ideais para a
prática de mergulho livre (snorkling ou de apnéia, sem o cilindro de ar
comprimido). Os pontos variam de cinco a 45 metros de profundidade,
dependendo do nível e do interesse do mergulhador. Todos têm acesso
fácil e rápido - meia hora de trajeto, no máximo.
Considerado o maior naufrágio do Brasil, o Cavo
Artemidi, com 170 metros de comprimento, está na boca da baía, no Banco
de Santo Antônio. Foi uma das embarcações mais recentes a afundar, em
1980. Podem ser vistos alguns salões e as casas das máquinas, mas o
local é indicado para mergulhadores experientes ou alunos em estágio
avançado do curso.
Mergulhos à noite são muito comuns, quando é
possível ver caranguejos e moluscos. A região é a mesma onde afundou o
navio português Galeão Sacramento, considerado o naufrágio histórico
mais expressivo do nosso litoral. "Em 1975, foi encontrado por dois
pescadores, que provavelmente tiveram suas linhas enroscadas nos
destroços e mergulharam para ver o que era", conta Gilson Galvão,
instrutor de mergulho e diretor da Bahia Scuba. A embarcação naufragou
em 5 de maio de 1668, após uma colisão com o Banco de Santo Antônio.
"Havia muitas louças, porcelanas chinesas, ouro e prata, e cerca de
20 canhões de bronze", conta. No navio, viajavam mulheres prometidas
aos proprietários das Capitanias Hereditárias. "Foram encontradas
mais de cem alianças", diz Galvão. Quem não mergulhar, pode ver as
peças resgatadas no Museu Náutico da Bahia.
Dois outros navios, Bretagne e Germânia, encontram-se
misturados no fundo do mar, com algumas partes ainda definidas. Estão
próximos ao Farol da Barra, a poucos metros da costa. O naufrágio está
a oito metros de profundidade, mas com apenas seis metros já é possível
avistar os destroços. Na região, é comum encontrar cardumes
"morando" em corais enormes. Mas cuidado. As águas de Salvador,
por serem quentes, possuem muitas caravelas (um tipo de água-viva), que
provocam queimaduras leves. Nesse caso, é recomendado mergulhar com
roupas especiais.
Outro ponto, fora da Baía de Todos os Santos, fica na
famosa região de Itapuã. A rua K da praia cantada em verso por Dorival
Caymmi e Vinícius de Moraes é via de acesso a vários pontos, com
profundidade de dois a 40 metros. Itapuã tem rica beleza marinha, onde
podem ser vistas formações de coral e até uma piscina natural, onde se
estruturou uma das mais antigas colônias de pesca da região. É o local
ideal para mergulho livre e, a menos de dez minutos de barco, chega-se à
Sala de Aula e às Cordilheiras, cheia de peixes coloridos, moluscos e
lagostas.
O fundo do mar de Itapuã é rico em rochas que chegam
a mais de dez metros de altura. Na região, há apenas um ponto com dois
naufrágios, que fica a meia hora da praia, em Jauá. Duas embarcações
afundaram no século 19 depois de baterem em recifes de corais: o vapor de
roda Salvador e o navio Paraná. Diante dessa variedade submarina, não
restam dúvidas: a capital baiana deve ser explorada por mergulhadores,
eventuais ou profissionais. Sim, a Salvador da Bahia, conhecida pelo
Pelourinho, axé e sua apimentada culinária, é destino a ser explorado
também debaixo d'água.
|