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Salvador Bahia
Você já foi à Bahia? Não? Então, vá. Mas vá com
calma, senão vai se aborrecer logo no aeroporto com a moça da agência
de viagens, que confere a lista de presenças, molinha, enquanto você,
ansioso, não vê a hora de sair dali. Tenha paciência também com o
garçom, o taxista. Entre no clima tranqüilo dos baianos.
Se puder, além de calmo, vá com tempo. Assim, poderá
descobrir os moradores e apreciar a singularidade daquela gente.
Que tal descobrir Salvador a pé? Tudo fica pertinho.
Pelo caminho, você vai encontrando as pessoas, o que a cidade tem de mais
bonito. Com tempo, disposição e tênis confortável é possível
descobrir mais.
Comece pelo Corredor da Vitória, avenida onde as
árvores se entrelaçam e tem o metro quadrado mais caro da cidade. Ali
ficam belos casarões construídos pelos ingleses, no século 19, e alguns
dos mais importantes museus de Salvador, como o Carlos Costa Pinto, o
Museu de Arte da Bahia e o Museu Geológico.
Refaça o Caminho da Vila Velha, antiga trilha entre a
praia do Porto da Barra e as Portas de Santa Catarina, atual Praça Castro
Alves. O porto, localizado numa enseada, oferece uma paisagem de
barquinhos de águas serenas, onde se pode nadar como numa piscina
sentindo o cheiro do peixe que é vendido no mercado.
No Porto da Barra, não deixe de ir ao Instituto Mauá,
um centro de artesanato com duas mil peças de cerâmica, cestaria, vidros
lapidados, tecelagem, bordados à mão e à máquina. Artesanato de
qualidade com acabamento primoroso. Um pouco mais caro do que no Mercado
Modelo, mas com melhor qualidade.
Se caminhar no sentido contrário, pela Avenida Sete,
em direção ao centro, pare um pouco no Passeio Público, onde ficam o
Palácio da Aclamação e o Teatro Vila Velha. Um pouco antes, no Campo
Grande, oficialmente chamado de Praça Dois de Julho, ficam a Casa do
Arcebispo, de inspiração inglesa, o tradicional Hotel da Bahia, hoje
chamado de Tropical, e o Teatro Castro Alves.
Seguindo pela Avenida Sete, estreita como todas as ruas
do centro de Salvador, com seus sobrados antigos, chega-se à Praça da
Piedade, que foi reformada e cercada por grades com desenhos exclusivos de
Carybé. Repare nas construções ao redor da praça: o antigo Palácio do
Senado da Província da Bahia, a sede do Instituto Geográfico e
Histórico da Bahia, o Gabinete Português de Leitura a Igreja de São
Pedro.
Depois de passar pelo Largo do Relógio de São Pedro e
pelo Largo de São Bento há uma ladeira leve e a Praça Castro Alves, com
a estátua do poeta dos escravos dominando a cena. No Carnaval, é a
praça do povo, do encontro de trios, do Ilê Ayê, Filhos de Ghandi.
Aproveite para olhar a Baía de Todos os Santos, do
alto. O Forte de São Marcelo, cercado de um marzão de perder de vista
até Itaparica e outras ilhas menores. Vá em frente. Da Praça Municipal,
outra espiada lá para baixo: o Mercado Modelo, o velho casario do
Comércio, a Rampa do Mercado.
De Elevador Lacerda, chega-se à Cidade Baixa. A uns 50
metros fica a belíssima Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia.
Na Avenida de Contorno, a meio caminho entre a parte alta e a baixa da
cidade, o Solar do Unhão, conjunto arquitetônico belíssimo erguido no
século 17.
Bem na frente do Elevador Lacerda, na parte baixa,
passam ônibus para o Bonfim. Pegue um deles. Suba a pé a Colina Sagrada.
Entre na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim e sinta a energia. Não é à
toa que tantos baianos vão ali rezar, pagar promessas. Ele é Oxalá no
sincretismo religioso, festejado nas sextas-feiras. Por essa razão, quem
acredita se veste de branco.
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