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SALVADOR
Estamos em Salvador, Bahia. ex-sede administrativa nos tempos coloniais, 2,2
milhões de habitantes, Salvador é a síntese de toda a Bahia. A República do Axé é, antes de tudo, uma caldeirada
cultural de africanos, portugueses e espanhóis (italianos e sírios quase
não contam). Meio resistente às transformações que complicaram
capitais como São Paulo e Rio neste século, Salvador está crescendo,
mas só recentemente vem mudando de roupa. Menos maçuda que as duas
outras, sem tantas pontes nem os horríveis engarrafamentos, a capital
baiana amadurece como metrópole sem perder sua ginga tão especial.
Pressa pra quê? Como convencer um baiano de que o
mundo pode acabar a qualquer instante? Mas bem pra lá de toda lenda sobre o slow motion dos
baianos, eles mineiramente fazem as contas no futuro: com 2,8 milhões de
visitantes no ano passado, um crescimento turístico médio de 47% ao ano,
estimam que cerca de 3,2 milhões de almas curiosas vão aparecer no ano
2005. Sem pressa nenhuma, a Bahia deve contabilizar, só aí, uma receita
de 1,4 bilhão de dólares, limpinho, com um impacto de 2,8 bilhões sobre
o PIB do Estado.
O problema do sanduíche que demora a chegar na mesa
pode não estar completamente resolvido - e outra hora a gente discute com
o bispo se isso um dia pode ou merece ser mudado. Mas em órbitas mais
cimeiras, aí sim, a Bahia não está empurrando com a barriga: faz de
tudo para atrair mais e mais turistas do Brasil e do mundo. Claro, o que
não falta é argumento. Além de Salvador, a Bahia também é Porto
Seguro, Morro de São Paulo e Ilhéus. Quantos Estados brasileiros têm um
hit parade turístico como esse? E a lista ainda não acabou: Abrolhos,
Mangue Seco, Praia do Forte, Chapada Diamantina!
Mas mesmo com todo esse talento natural, o fato é que
a Bahia não está dando mole, está melhorando o que já tem e alardeando
suas virtudes com muita manha, criativamente. Não faz muito tempo, abriram uma estrada dando acesso
ao quase inexplorado litoral norte, a porção costeira entre Salvador e a
divisa com Sergipe (nesse trecho estão a Praia do Forte, Sítio e Mangue
Seco, só para dizer o mínimo). E para não ficar naquela chatice de
letras e números que identificam estradas - no caso BA-001 -inventaram um
nome simpático, bem sacado, de ares ecológicos: Linha Verde.
Em Salvador, depois de vinte anos de tentativas
frustradas, conseguiram mudar a aura do Pelourinho, como é chamado o
centro histórico da cidade, reformando e pintando o casario colonial e as
igrejas. Com a explosão do samba-reggae do Olodum e a bruta propaganda
desse projeto de recuperação, o lugar agora está ficando pequeno pra
tanta gente, até confuso, de tantas línguas. Em Porto Seguro,
quartel-general da chamada Costa do Descobrimento, ampliaram o aeroporto,
que hoje é um dos mais movimentados do país.
Porque ainda tem essa: foi na Bahia que aportaram os
primeiros visitantes europeus. Foi a visão do Monte Pascoal - que está
lá, impávido e colosso - que fez Pedro Álvares dar uma paradinha no
acostamento. E Pero Vaz, como se sabe, foi o primeiro a fazer, com suas
bem próprias palavras, o que todos nós fazemos quando voltamos de uma
viagem à Bahia: "Pô, vai lá que é muito bom".
Porto Seguro, entretanto, teve menos fama nas cortes
européias do que a Baía de Todos os Santos, onde surgiria Salvador.
Descoberta pelo célebre Américo Vespúcio em novembro de 1501, o grande
golfo tornou-se uma referência aos navegadores, um dos pontos mais
conhecidos e visitados no litoral do Novo Mundo. Foi aí também que
chegou o primeiro mochileiro gringo de que se tem notícia - um certo
Diogo Álvares, o "Caramuru", anjo torto dos sete mares.
Português, náufrago de uma embarcação francesa,
Diogo chegou à Baía de Todos os Santos em 1510. Contam que, sem ter para
onde ir mesmo, ele se apegou ao lugar, se deu muito bem com índios de
várias tribos. E melhor ainda com as índias (bocas de matilde dizem que
foi um bumbaço de arcabuz, que espalhou pólvora pra todo lado,
espantando aves e índios, que tornou o português respeitado na área). O
certo mesmo é que ele um dia se apaixonou por uma das índias e se casou.
Na França, esnobando. Tiveram dez filhos, que por sua vez casariam com
índios, europeus e africanos, dando o pontapé inicial no caruru racial
do Brasil. E foi ele também quem formou as primeiras roças de
algodão e cana-de-açúcar em Salvador, nas áreas hoje tomadas pelos
bairros da Graça e da Barra. E depois ajudou na implantação do Governo
Geral.
Fundada em 1549, apoiada na economia do açúcar,
Salvador é tida como a primeira cidade do Brasil (nem todo mundo concorda
com isso). Misto de cidade-fortaleza, cidade-entreposto e centro
administrativo da Colônia, durante muito tempo manteve-se como a maior
rede urbana criada nas Américas pelo poder colonial. Os números da
época, é evidente, não impressionam: em 1583, tudo que havia eram duas
praças e três ruas, onde moravam "oitocentos vizinhos e oitocentos
escravos".
Salvador esteve na mão dos holandeses entre 1624 e
1625, participou do ciclo da mineração como provedora de víveres e
escravos na primeira metade do século 18 e foi palco de revoluções
importantes, como a de 1798, inspirada no iluminismo francês, e a
epopéica Sabinada, entre 1837 e 1838. Outras maravilhas para os
almanaques: você sabia que foi em Salvador, em 28 de janeiro de 1808, que
o digníssimo príncipe regente Dom João decretou a abertura dos portos
do Brasil? Ou que a Independência, larga e pomposamente anunciada no dia
7 de setembro de 1822, só "pegou" na Bahia no dia 2 de julho do
ano seguinte?
Foi com os lucros das exportações realizadas na
segunda metade do século 18 que Salvador construiu a maior parte de suas
igrejas e casarões opulentos. Todo mundo diz que a cidade tem 365
igrejas, uma para cada dia do ano. Na verdade não chega a tanto. A menos
que se contem as que valem por duas. O interior da Igreja de São
Francisco, todo folheado a ouro, está lá pra todo mundo ver. Outra
construção incrível é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da
Praia, que veio desmontada de Portugal, como um quebra-cabeça, para tomar
forma à beira da baía. É dessa igreja que parte a romaria até a Igreja
do Nosso Senhor do Bonfim, onde no terceiro domingo de janeiro acontece a
lavagem da escadaria, ritual máximo do sincretismo religioso da Bahia e
seu vizinho mais próximo, senão envolvente, o Brasil.
Na Bahia, os santos da igreja católica e os orixás do
candomblé são quase uma coisa só - mudam o nome, o endereço e a
maneira de cultuá-los. São Lázaro é Omolu, Santo Antônio é Ogum,
Nossa Senhora da Conceição é Iemanjá, São Jorge é Oxóssi, Nosso
Senhor do Bonfim é Oxalá e assim por diante. Escolher entre uma missa e
um ritual no terreiro é só uma questão de agenda, não de confusão
espiritual. Sincretismo, aliás, é nome até feio para algo de
significado tão bonito.
Capital mais africana da paróquia, Salvador viu os
primeiros escravos chegar nos navios tumbeiros por volta de 1550, vindos
principalmente da Nigéria, Senegal, Angola, Moçambique, Congo, Benin e
Etiópia. Sua cultura religiosa se disseminou dentro e fora das senzalas
e, ao longo dos séculos, impregnou-se no dia-a-dia de toda a população.
Em prosa menos acadêmica, é certo que essa África baiana é hoje um
estado de espírito único, de reconhecimento internacional. Não há quem
não se arrepie quando o Olodum e outros blocos afros fazem soar seus
tambores nas ruas estreitas do Pelourinho ou quando os Filhos de Gandhi
pintam as ruas de branco durante o Carnaval.
É assim, com um pé em cada canoa, que Salvador e a
Bahia se preparam para dobrar o cabo do milênio. Um pouco no terreiro, um
pouco na igreja. Um pouco no som libertário dos tambores, um pouco nas
guitarras eletrificadas da axé music. Um pedaço no imaginário criado
por Caymmi e Jorge Amado, outro na viagem alternativa de Raul Seixas. Um
tanto na arquitetura colonial do Pelourinho, outro tanto nas linhas
modernas, vanguardistas, dos novos edifícios. Os fortes da orla estão
ali, abertos à visitação, mas há também um super-hiper parque
aquático igualzinho ao dos americanos. Surgem avenidas, alguns elevados,
mas o traçado desvia mesuradamente dos sítios históricos. Um centro de
convenções apela para a ousadia de uma estrutura metálica quase à
beira-mar, enquanto o Elevador Lacerda, com seu design de época, assinala
nostalgicamente a cidade alta e a cidade baixa.
Mas nem sempre essa química doida dá certo. A Lagoa
do Abaeté, por exemplo, era bem mais bonita antes do centro comercial e
turístico que tem agora sobre as areias. Mas, que jeito, as lavadeiras
inocentemente poluíam aquelas águas encantadas, então ganharam uma
lavanderia com tanque, torneira, telhado e tudo. A lagoa está salva e
nunca mais será a mesma. Será que ainda vai dar inspiração para os
poetas? Outra encrenca, comum às capitais litorâneas: as praias
poluídas. Em Salvador, o banho de mar só é bom bem pra lá de Itapuã,
e subindo...
Mas se perde em encanto por causa de praias que apenas
deleitam o olhar, Salvador se recupera na originalidade de sua geografia
urbana, irregular, cheia de morros grandes e pequenos. A cidade é como
uma caixa de ovos vazia, com altos e baixos acentuados, onde é bastante
fácil se localizar enquanto não se abandona as vias principais. No miolo
a coisa complica, e muito: as ruas assumem formas circulares, espiraladas,
eneagrâmicas, hermenêuticas. Mas se chover piora um pouco. A seu favor,
considere que praticamente todas as melhores atrações e pontos de
interesse não estão nesses labirintos.
Salvador mudou muito entre os anos 20 e 30. A expansão
do circuito de bondes redistribuiu as castas na cidade, dando oportunidade
às famílias mais abastadas do centro na busca de algum isolamento na
Barra, Graça, Barra Avenida e Pituba. Ainda assim grandes porções de
terra permaneciam na mão do poder público e de ordens religiosas, a
urbanização se desenvolvia apenas nas cumeadas e não havia mais do que
algumas poucas vias de comunicação entre um e outro bairro.
Nos anos 60, uma onda de privatizações revolucionou o
mercado imobiliário. Em seguida, com novos investimentos no sistema
viário, surgiram avenidas onde antes só havia vales, permeando tudo e
transformando a cidade a toque de caixa. É, mais ou menos, o desenho que
se consolida nos dias de hoje. Ainda assim, há dramas insolúveis, ao
menos para os que não são da cidade. Como o que os soteropolitanos
chamam de "fim da linha". Muitas ruas ou avenidas acabam
literalmente na beira de penhascos, onde, convenientemente, fica a última
parada do ônibus. É o fim da linha.
O Elevador Lacerda e o Plano Inclinado (bondinho)
ajudam a vida de muita gente no necessário sobe-e-desce da área central
da cidade. O primeiro, inaugurado em 1873, foi planejado e construído
pelo comerciante Antônio Francisco de Lacerda. A jornada dura 30
segundos, custa quase nada (R$ 0,05) e economiza uma caminhada de gastar
sola. O Plano Inclinado custa igual, demora um pouquinho mais, no entanto
oferece uma vista mais bonita.
Para a maioria dos que visitam Salvador, porém, a
melhor paisagem está um pouco além do Plano Inclinado. Anunciada pela
Catedral Basílica, a área do Pelourinho, outrora tomada pela
delinqüencia e pela prostituição, hoje faz a fama e a glória da
cidade. Um projeto milionário recuperou tudo, reformando, pintando e
adequando o conjunto arquitetônico a uma nova realidade. Os casarões e
igrejas dali, tombados pela Unesco como Patrimônio da Humanidade,
compõem agora um cenário cinematográfico do que foi o Brasil dos tempos
coloniais e do império.
Nas portas de comércio, seculares, hoje funcionam
oficinas e lojas de artesanato, decoração, moda afro-baiana, escolas de
música, centros culturais, museus, sorveterias, bares, restaurantes e
hospedarias. Em alguns conjuntos desses prédios antigos, os muros dos
quintais, lá no fundo, foram derrubados, criando largos bem arranjados,
simpáticos, onde rolam shows de música e dança permanentemente.
Você vai descobrir em Salvador que nem todo mundo
gosta do Pelô como está. Muita gente acha que o Pelourinho era melhor,
mais verdadeiro, antes das mudanças. O tema é controverso. Porque
durante desde sempre estavam tentando modificar a cara do lugar. Somente
quando promoveram o remanejamento dos antigos moradores é que a coisa deu
certo. Aí está o problema, segundo a crítica especializada: tiraram a
população original dali, mexeram na cultura fundamental, estragaram
tudo.
Em compensação, os anos mais recentes revelaram nova
vocação ao Pelô (curto e grosso: Pelô... com dois ou três dias em
Salvador você também adquire essa intimidade). Os blocos Ylê-Ayê,
Olodum, Araketu, Muzenza e Filhos de Gandhi são "donos" do
lugar. O Olodum, principalmente, com a arte do maestro Neguinho do Samba
(que não faz mais parte do grupo), renovou de maneira tão criativa a
batucada da Bahia, que se tornou impossível dissociar sua marca da imagem
do Pelô. De resto, em toda a Salvador, não há loja ou ambulante que
não tenha pelo menos uma camiseta ou adereço com a estampa colorida do
Olodum para vender. E no entender ingênuo de quem acaba de chegar,
qualquer um que aparece batucando qualquer coisa é Olodum. Virou
sinônimo de batucada. Mas com uma sortezinha, não precisa nem correr
atrás para vê-los: muitos ensaios acontecem na rua, no Largo do
Pelourinho mesmo.
Outra figura típica do Pelourinho são os vendedores
de cafezinho. Alguns se acomodam em tabuleiros nas calçadas, outros
circulam com um arranjo de madeira nas mãos, carregando as garrafas
térmicas. Numa das extremidades há uma vareta que sobe ao alto, que nem
uma "antena", onde maços de cigarro são presos como
bandeirolas, anunciando de longe a passagem dos abnegados mercadores. Mais
sofisticados, alguns transformam o troço de madeira em carrinhos
estreitos, dirigíveis, com rodinha e tudo. Outra facção, a dos
"carrinhos elétricos", ainda mais luxuosa, incorpora toca-fitas
e TV. É mole? O cafezinho sai por R$ 0,20 e os cigarros, "a
retalho" (vendidos um a um), custam R$ 0,10 (Derby) e R$ 0,50 (Gudang
Garam, os superpopulares cigarros aromáticos de Bali). Uma vez por ano,
um comboio de carrinhos elétricos faz romaria do centro até a Praia de
Ondina, terminando com a escolha do mais bem equipado. Só na Bahia.
Outra invenção baiana foi a Deltur, uma delegacia
turística do Brasil. Comandada pela doutora Lindaiá Mustafa, uma brigada
de oitenta policiais especializados, vários deles poliglotas, cuida
apenas de casos relacionados com os visitantes, de furtos a hotéis ao
desmantelamento de quadrilhas de assalto a ônibus. A primeira ocorrência
registrada na Deltur, em 1991, foi a detenção do Beijoqueiro, na época
da visita do Papa a Salvador. Mas essa era fácil.
Difícil foi a da filmadora do americano, levada por um
assaltante: a própria delegada, aproveitando uma jornada a Miami, fez
questão de devolver o equipamento ao dono, em mãos. O gringo não
acreditou! E a do ônibus de argentinos, de quem levaram as malas, o
dinheiro, tudo? O caso virou questão de honra para os baianos de boa
vontade - o então governador recebeu os hermanos no gabinete, deu mil
dólares para cada um, pagou hotel e tal - e a equipe da doutora Lindaiá
não sossegou enquanto não encontrou os bandidos, 48 horas depois.
Caso de polícia e sem solução é o uso deliberado da
palavra "axé". Na língua africana yoruba, axé é como uma
transmissão das vibrações sagradas dos Orixás, uma energia positiva,
muito usada como saudação ou bênção entre as pessoas. Hoje, apenas em
Salvador, o termo batiza um fabricante de chocolates, uma corretora de
seguros, uma empresa de produções artísticas, uma de emplacamentos,
outra de viagens e turismo e até uma de transportes urbanos, cujos
ônibus inundam as ruas com aquele grito enorme na lataria: AXÉ. Tem
também o Projeto Axé, uma das mais bem-sucedidas ONGs da área social em
todo o Brasil. E um monte de rasta-ripongas com esse apelido andando pelas
ruas.
As 56 ilhas são a senha para o avanço dos novos
descobridores na maior baía da costa brasileira. Visitas a igrejas,
fortes, antigas sedes de fazendas e vilarejos de outro mundo fazem parte
do roteiro. Tem mais: praias desertas, vento a favor para a maioria dos
esportes náuticos e bolsões preservados de mata atlântica. Itaparica,
maior ilha marítima do Brasil, berço do escritor João Ubaldo Ribeiro,
é a mais procurada pelos audazes, porque é de fácil acesso a partir de
Salvador e tem ótima infra-estrutura. E também porque é farta em
mangaba, coco, tamarindo, manga e caju. Outras terras, banhadas de água,
que merecem ser conquistadas: Maragojipe, Ilha de Maré (onde se pratica o
jeguetur), Ilha dos Frades e São Francisco do Conde (que tem
construções históricas e uma vista longínqua mas muito bonita da
capital). Quem vai à Bahia, precisa ir à Baía.
Em Salvador, o calendário para julho e agosto pode ser
que fique pronto em cima da hora. Ou não. Creia em Deus Pai e procure a
programação mensal do Pelourinho Dia e Noite (071-322-2525). Ao chegar,
compre o jornal A Tarde, que publica os agitos da semana. Lembre-se: todos
os meses há um santo ou uma entidade para ser homenageada. É só ver
qual e sair na procissão. A famosa lavagem das escadarias de Nosso Senhor
do Bonfim acontece em data móvel, entre dezembro e janeiro. E o Carnaval
rola fevereiro inteiro, a partir da Festa de Iemanjá, que acontece no dia
2.
Em Salvador, três dias podem ser mais do que úteis.
Se Itaparica e outras ilhas da Bahia entrarem no roteiro, some um ou dois
dias. E mais dois para o litoral norte. Mas uma semana dá pra tudo isso
na boa. Para rodar a Bahia toda como se deve, pense grande, pelo menos uns
vinte dias. Finalmente, se o seu cabelo está caindo, o coração dispara à toa e aquela úlcera nunca doeu
tanto quanto agora, fique na Bahia pro resto de sua vida.
Pergunte a Caymmi, Jorge Amado ou Carlinhos Brown se
tem hora para ir à Bahia. Claro que você vai ouvir que não. Quanto ao
clima, é mais provável encontrar chuva no verão e no outono do que nas
outras estações do ano. Mas sabe como é o Brasil... Se você gosta de
folia, não titubeie: vá durante o Carnaval e só marque a volta para
março. Se não gosta, já sabe...
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